quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Resumo das Proposições: "A Avaliação dos Frutos"

Resumo das Proposições:

AVALIAÇÃO DOS FRUTOS APÓS MAIS DE 15 ANOS DE PRÁTICAS E "MOVERES" NA RESTAURAÇÃO NO BRASIL:
1 O DESVIO DO ENSINO EM RELAÇÃO AO ENSINO DOS APÓSTOLOS:

1.1 O ensinamento da "presente verdade" como verdade "atualizável" conforme o "mover de Deus"

1.2 O ensinamento sobre "revelação de primeira mão" como um tipo de revelação vedada aos santos em geral, sendo permitida por Deus apenas ao apóstolo

1.3 O ensinamento da Unidade como uma homogeneização oriunda de práticas exteriores

1.4 O ensinamento sobre "ser um com o ministério", como uma dependência exclusiva de uma total subordinação a um ministério particular de um homem, para poder ser agradável a Deus



2 AS ESTRATÉGIAS DAS PRÁTICAS QUE INDUZIRAM AO DESVIO DA ECONOMIA NEOTESTAMENTÁRIA DE DEUS:

2.1 A centralização em um oráculo único e exclusivo, como forma de garantir que todos os ministérios e igrejas se reportem a um único Ministério conforme o NT

2.2 O "laboratório" de práticas

2.3 A ênfase no ruminar ensino recentemente ministrado como forma de praticar 1 Tm 4:6 - a questão da "palavra atual"

2.4 A ênfase na exclusividade de um ministério específico como forma de expressar a unidade e receber a "bênção" gerando uma inconsciente idolatria da obra

2.5 A ênfase nas obras e práticas ao invés da pessoa que executa a prática

2.6 O sutil sistema de exercício de influência e até de poder sobre as igrejas

2.7 A prioridade na busca de recursos para a obra em detrimento do Espírito e da Palavra



2 O RESULTADO DESASTROSO DE FALTA DE EXPRESSÃO DE REALIDADE ESPIRITUAL E DE VIDA DIVINA:



4 UMA EXPERIÊNCIA TRISTE

5 A BALISA E O ALVO DO QUAL NOS DESVIAMOS

6 CONCLUSÕES


Introdução:

(Publicado Jun/2002 em: http://www.unidadedaigreja.rg3.net ou http://www.unidade.cjb.net)

Temos falado muito da volta do Senhor e da iminência do fim dos tempos, mas parece que estamos confiantes demais de que é impossível nos desviarmos do alvo, que não buscamos avaliar se realmente estamos semeando para a vida. Esta questão de semear e colher é muito séria para que se lide levianamente (Gl 6:7-9). O apóstolo Paulo tinha grande preocupação em não ter corrido em vão em Gálatas 2:2-"Subi em obediência a uma revelação; e lhes expus o evangelho que prego entre os gentios, mas em particular aos que pareciam de maior influência, para, de algum modo, não correr ou ter corrido em vão". Tal preocupação ele também evidenciou em Fp 2:16. Detalhe interessante é que ele preservava tal temor a despeito do evidente sucesso de sua obra na ocasião! O que indica que o aparente sucesso em uma empreitada não necessariamente indica aprovação divina. W. Nee já comentava que, se dependêssemos exclusivamente das evidências exteriores para nos tranqüilizar a respeito de nossa aprovação por parte do Senhor, é porque a nossa comunhão íntima com Ele estaria muito mal... Entende-se, portanto porque é recomendado na Palavra de Deus que tenhamos temor, se é que realmente cremos e apressamos a vinda de nosso Senhor: "Ora, se invocais como Pai àquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação" (1 Pe 1:17).

W. Nee já havia advertido que precisamos de muito temor, evitando ser "genéricos" demais, não atentando a pequenos desvios, ou a aquilo que consideramos irrelevante, porque um pequeno desvio se tornará um grande desvio com o passar do tempo. Por anos tenho percebido coisas estranhas e contrárias ao que a Bíblia mostra, mas sempre passava por cima, procurando ser "genérico" (usando uma expressão do Estudo-vida de Gêneses: "dançar sobre os ossos e penas"), tanto por não confiar nos meus sentimentos e percepções, quanto pelo temor de implicaria se tivesse que realmente levar a sério o que estava percebendo. O conflito era inevitável, e o sofrimento inexprimível, até que um dia o Senhor teve misericórdia de mim e me libertou de vários conflitos ao suprir em meu espírito a confiança e a convicção de que a Sua Palavra é verdadeira, nem que para isto tivesse de considerar todo o homem mentiroso (Rm 3:4), inclusive a mim mesmo! Por temor de que outros sofressem dano devido a uma tomada de posicionamento mais firme pela Palavra de Deus, muitos irmãos acabaram sofrendo sério dano devido à minha omissão. O que mais causou a minha hesitação foi o fato de perceber desvios sérios nas mesmas pessoas através de quem, no início, desfrutei da palavra e da revelação do propósito eterno de Deus e de Sua Economia. Agora, esta mesma palavra os estava condenando! Mas como os frutos espirituais negativos não só persistiam, como aumentavam cada vez mais, chegou um momento em que não mais podia continuar hesitando e me mantendo omisso. Busco esta comunhão verdadeira, franca e sincera com os irmãos. Peço perdão a alguém mais melindroso que se sinta ofendido com a franqueza da comunhão. Esclareço que não me considero melhor que ninguém, e de que estou ciente de que não posso garantir que não desviasse ainda mais da Economia de Deus se não passasse pelas tribulações e humilhações que já passei. Acho que é justamente o longo período de humilhações (Dt 8:2-5, 17), que me colocou em uma posição e ângulo diferenciado, permitindo a que percebesse as coisas sob outra ótica. A verdadeira comunhão tem duas vias e não apenas uma como é comum em nosso meio. Também tal comunhão genuína tem um endereço certo que é EM CRISTO (1 Co 1:9 & nota 92). Muitas vezes chamávamos conversas e até fofocas de comunhão, o que infelizmente acabou levando a que se tomasse o termo de forma um tanto leviana, mas na verdade é um rico meio de Cristo se dispensar em nós. Se hoje aqueles que detém o poder não quiserem reconsiderar os seus caminhos, e insistirem em me condenar por estar "contaminado", então podem dizer que estou "contaminado" pela apreciação pela Palavra pura de Deus, pelo amor ao Nosso Querido Senhor Jesus, pela revelação grandiosa de Sua Economia, e pelo amor à Sua Igreja!

Desta forma apresento a seguir as minhas constatações para o crivo do leitor, esperando, de todo o coração, que consiga PROVAR de forma bem fundamentada que eu estou errado. E Deus sabe o quanto gostaria de estar errado, e será de ajuda inestimável se alguém conseguir me PROVAR com fundamento na Bíblia que estou errado! Notem bem que estou distinguindo aqui entre a mera diferença de opiniões, as quais sempre se respeita embora não se seja obrigado a concordar, da verdade. Discordar da verdade é no mínimo ser conivente com a mentira, cujo pai todos nós bem sabemos quem é! O que estabelece esta diferença é justamente a fundamentação na verdade, que são os fatos e principalmente a Bíblia. Para as proposições que não forem contestadas de forma adequadamente fundamentada, irei assumir como válidas após o crivo do leitor, ficando assim estabelecidas por serem incontestáveis por quem quer que realmente esteja comprometido com a verdade! Como me considero comprometido com a verdade, não posso ficar indiferente a ela, e devo proclamá-la, do contrário serei no mínimo conivente com a mentira, o que não convém a quem ama ao Senhor. Não farei acordo para ocultar a verdade (Is 28:15-22) e nada ficará oculto que não seja manifesto por Deus (Lc 12:2,3), e ai escândalos ocorrerão. Aos que porventura possam minimizar esta busca por base Bíblica como uma "mera questão doutrinária", gostaria de lembrar que o que nos liberta é o conhecimento da verdade (Jo 8:32) e não a aceitação de uma concepção particular que um grupo de pessoas possa imaginar ser a verdade. Somente a genuína realidade da verdade pode nos santificar (Jo 17:19), e é como base e coluna desta verdade que a Igreja existe nesta terra (1 Tm 3:15). No livro “The Resumption of Watchman Nee’s Ministry” (tradução: A Retomada do Ministério de Watchman Nee) Volume 57 do "Collected Works of Watchman Nee", é impressionante a ênfase que o irmão Nee dá no capítulo 12 para a absoluteza da verdade como fator básico para a expressão da realidade do Corpo. Somente aqueles que julgam a si mesmos têm esperança de prosseguir. Aqueles que não conseguem se manter na verdade, mas antes baixam o padrão da verdade, sempre viverão em trevas! A razão das trevas reinantes hoje no meio cristão é que o homem sacrifica a verdade em detrimento de si mesmo! A verdade é fruto da Luz (Ef 5:9), e quem não amar a verdade dará crédito ao erro e perecerá em julgamento (2 Ts 2:9-12). A verdadeira justiça e retidão é procedente desta verdade (Ef 4:24). Sem tal verdade não existe o testemunho da Igreja! Como então não ser restrito com respeito à verdade, ainda mais que sabemos que o inimigo, o pai da mentira (Jo 8:44), é capaz de grandes prodígios do engano e até de se apresentar como anjo de luz (2 Co 11:14)! Uma forma de verificar se não estamos apenas confundindo uma concepção falsa ou inexata com a verdade é conferindo se o que vivemos e praticamos está coerente e consistente com o que aceitamos como verdade. Esta inclusive é a maneira que o próprio Senhor nos recomenda para verificar se alguém está na verdade – pelos seus frutos (Mt 7:15-20; 12:33; Lc 6:43-45)! Se há discrepância então ou não temos a verdade ou não cremos realmente na verdade! Dissimulações de que não é bem assim ou que os fatos e pregações não foram bem entendidos, no entanto sem esclarecer com precisão o que seja a verdade, ou atitudes de ocultar verdades e fatos com a desculpa de que nem todos estariam preparados para elas, a história da Igreja nos ensina que estes são sérios indicadores de que se está deixando enredar pela tortuosa falsidade. A principal estratégia do inimigo na esfera espiritual é nos privar de nossa firmeza na verdade (At 11:23; Cl 2:5; 1 Ts 1:3; Hb 2:1; 2 Pe 3:17), nos deixando inseguros quanto a real verdade. Precisamos resistir-lhe na Fé (Ef 6:13; 1 Pe 5:8,9). Por isto, para que um obreiro seja aprovado por Deus é necessário que este tenha diligência e uma mente treinada (2 Tm 2:23) apto para cortar retamente a palavra (ver 2 Tm 2:15–do grego, orthotomeo, cortar reto a palavra, e notas 151 e 152 da RV). Sem tal cuidado com a palavra de Deus pode-se inadvertidamente promover a impiedade (2 Tm 2:16) e corroer a confiança dos santos na Fé (2 Tm 2:18). Não podemos esquecer que é justamente a confiança que nos dá galardão (2 Co 3:4; Ef 3:12; 1 Ts 2:2; Hb 2:13; 3:14; 10:35; 1 Jo 2:28; 3:21; 4:17; 5:14), e não simplesmente o crer (cf Tg 2:17-26). Sendo fieis à verdade e não agradando a homens (Gl 1:10;Ef 6:6), sendo o nosso falar sim ou não (Mt 5:37; Jo 7:24; 2 Co 4:2),. Independentemente disso vir a ser contra a nossa pessoa ou não, nos guarda das artimanhas do maligno e nos preserva na verdade (2 Jo 4). No “The Character of the Lord’s Worker” (tradução: O caráter do obreiro de Deus) Volume 52 do "Collected Works of Watchman Nee", no capítulo 10 o irmão Nee coloca justamente isto. O obreiro de Deus deve ser absoluto pela verdade, e isto só é possível quando ele se libertar de si mesmo. Se alguém deixa com que a verdade seja comprometida por suas afinidades pessoais, sentimentos, família, etc., este não está qualificado para ser um obreiro de Deus! Se formos levianos e superficiais com esta questão da verdade, o seremos com tudo o mais!

No passado já muitos outros irmãos perceberam pelo menos em parte alguns dos problemas aqui relatados, porém ao tentar denunciá-los, foram rechaçados pelos lideres e tidos como problemáticos e com problema de posição. Aliás, o pecado de ambicionar posição entre o povo de Deus tem sido extensamente enfatizado no meio da Restauração, ao ponto de tornar este um "pecado popular", cuja ênfase exagerada não é edificante, e permite levantar suspeitas sobre o porque de tal ênfase. Não seria este justamente um problema maior do Líder do que nos outros em geral? Desta forma a liderança desviava o foco da percepção do problema e quem sabe a respectiva busca da solução, para as falhas que conseguiam achar ou até presumir existentes no denunciante. Com isto conseguiam desmoralizar este irmão perante as igrejas, e assim manter tudo como está. Na verdade este tem sido um desprezo explícito de um conselho sábio dado pelo Líder da obra há anos, que recomendava SEMPRE olhar para nós mesmos quando sofrêssemos algum tipo de acusação, não importando de onde viesse, pois SEMPRE o Senhor teria alguma luz para nos iluminar e assim podermos nos arrepender. Por mais de ano (desde Fevereiro/2001) este texto foi submetido a vários irmãos lideres da obra, via um grupo fechado de comunhão na Internet, buscando através de uma comunhão franca e aberta saber qual o posicionamento destes a respeito. Durante todo o tempo foram incapazes de contestar estas proposições, e só deram um tímido retorno depois de muita insistência. Aparentemente a tão propalada abertura para comunhão não se traduziu em uma prática convincente e/ou estão muito ocupados com outras prioridades, consideradas mais importantes do que uma reavaliação a respeito de um sério risco de desvio da Economia de Deus, em função de uma tolerância ou até sobrecarga de atividades entre os obreiros (Mt 13:24-30, 36-43)! Uma postura bastante arriscada e imprudente, se forem consideradas as evidências cada vez mais fortes de um desfecho iminente desta era maligna e da volta do Senhor. Esta postura até se poderia explicar humanamente pelo natural envolvimento humano dos líderes com a obra, afinal estão envolvidos e a estão respirando por muitos anos, mas a falta de uma postura isenta não se justifica espiritualmente, porque nesta esfera deveria prevalecer o temor ao Senhor, o operar da cruz e o cuidado em não omitir a verdade de tantos irmãos que os estão observando! Isto tudo sem falar no fato de que estão em falta para com a região Sul (item 4 adiante). O tímido retorno destes líderes se restringiu a tentativas de discordar dos fatos sobre os quais as proposições foram baseadas, buscando defender ao máximo a obra, uma vez que reconheceram que as proposições em si não poderiam ser contestadas, afirmam que, ou houve má interpretação ou mal entendido, uma vez que o que foi e tem sido pregado e compartilhado nas conferências não foi bem assim como estou apresentando (é claro que se esquivaram de então analisar uma fita de mensagem escolhida entre aquelas que tomei como referência, para dirimir a dúvida – afinal, a acusação do inimigo é sempre genérica, enquanto que o iluminar do Espírito é específico),e que os problemas descritos seriam apenas localizados na região onde moro, que tais problemas não ocorrem no resto da região da obra. Na verdade era nítida a impressão de que eles não se sentiam à vontade com aquela tentativa de comunhão, estavam "cheios de dedos" para abordar qualquer assunto, e demonstravam não haver muita transparência e não estarem a vontade até mesmo entre eles. Aparentemente consideram que está tudo indo muito bem, e acham desnecessária uma reavaliação honesta diante do Senhor. Diante da frustrante falta de retorno adequado daquela comunhão, a princípio reservada, estou abrindo este assunto para mais alguns irmãos que me conheceram há mais tempo. Alguns dos líderes protestaram contra esta decisão, mas me sinto no dever de consciência de não ocultar a verdade (cf. Ez 3:20,21; At20:20,26-32). O leitor, que tenha participado por anos de conferências e da vida da igreja, então poderá analisar por si e avaliar se realmente entendi errado as coisas ou não!

Não hesitei em me expor fazendo até ousadas e sérias asseverações justamente para buscar um posicionamento bem claro e definido sobre a ocorrência de muitos fatos, a respeito dos quais todo o mundo se esquiva de se posicionar, ou se o faz, é de maneira tímida e minimizando como se fosse um caso isolado e não estrutural. Evitei ao máximo citar nomes porque não me cabe julgar ninguém (Mt 7:1-5), muito menos aqueles que estejam investidos de alguma autoridade, seja qual for. Além disso, temo que citar nomes e casos induz a nos distrair dos fatos com especificidades e opiniões subjetivas sobre pessoas. Relato a seguir fatos que se sucederam desde há mais de 15 anos, porque sem a compreensão de onde tudo começou fica muito difícil se compreender como se chegou à condição de hoje. Quer se queira quer não, aquilo que foi semeado há mais de 15 anos atrás continua dando frutos até hoje. Não é à toa que o Senhor recomenda à Igreja em Éfeso que olhasse de onde havia caído para poder arrepender-se (Ap 2:5). A quem questionar o entendimento do que sejam os fatos e palavras ensinadas, gostaria de lembrar que a presente constatação advém não apenas de participar pessoalmente em inúmeras conferências por mais de 20 anos, mas de presenciar testemunhos até de irmão tidos como líderes, que confirmavam o mesmo entendimento a respeito dos ensinos e práticas. A única diferença é que normalmente tais testemunhos refletiam plena aceitação e até entusiasmo com as heresias e práticas, enquanto que eu me mantive reservado ao perceber que tais testemunhos se mantiveram sem correção, sendo portanto assumidos como corretos pela liderança da obra. Aqui cabe observar que toda a minha preocupação e aflição podem não fazer muito sentido para alguns que estão mais acomodados e satisfeitos com a sua experiência pessoal de igrejar, tendo o seu desfrute com a sua comunidade e isto lhes basta. Nestes casos muitas vezes a satisfação de Deus e o testemunho de Seu Reino nesta Terra vez em segundo plano. Para estes talvez seja melhor ignorar-me para não correrem o risco de ficarem como eu!

O entendimento adequado do texto irá requerer uma leitura atenta dos versículos da Bíblia referenciados no texto e, na maioria dos casos, das notas de rodapé da Recovery Version e de alguns livros do Living Stream listados no fim. Dada a natureza intrincada, subjetiva e até sutil de vários fatos, fui obrigado a recorrer muitas vezes até a uma lógica complexa e a alguma terminologia que talvez o leitor não esteja familiarizado, para poder tornar explícita e clara a descrição dos fatos e "fenômenos". Espero que o leitor, de fato, leve em oração diante do Senhor o ler estas páginas, e assim, mediante uma consideração sóbria, séria e consciente, possa me responder. Isto seria de real ajuda. Tenho certeza que, ao ler certos trechos da Bíblia e algumas das notas citadas, o leitor se sentirá inundado da glória do nosso Senhor no Santo dos Santos, tal será o desfrute. Às vezes tenho a impressão de que alguns de nós, mais experientes na Restauração, percebem alguma coisa, e tentam de forma muito discreta e tímida ministrar (como eu já fiz), dentro dos limites que se impõem, alguma coisa da Economia de Deus, na esperança de que a médio e longo prazo surta algum efeito em termos de corrigir o desvio. Nestes anos todos isto tem se mostrado em vão, principalmente em minha região, que nunca pode contar com um colaborador que tivesse autonomia suficiente e ao mesmo tempo base na palavra para poder corrigir "in loco" os desvios e mal entendidos! Esta ambigüidade tem gerado dúvidas até sobre verdades e conquistas que tínhamos como certo, tais como: ensino dos Apóstolos, Ministério do Novo Testamento, Economia de Deus, expressão prática da Igreja, etc.. Justamente pela persistência da cada vez mais crescente discrepância entre o que entendemos ser a revelação divina das Escrituras e a prática em nosso meio. Não será isto um indicativo de que o inimigo já começou a roubar as preciosidades da Restauração (Mt 13:19)? Este quadro de contraste chega até a ser chocante para quem que, como eu, está há mais de 25 anos na Restauração, praticamente desde quando começou a Restauração no Brasil (antes de existir a Estância). Aí questiono com o leitor se não estamos em uma situação de séria tomada de decisão se vamos seguir homens ou a Deus, nos moldes como o irmão Lee testificou em "The Practice of the Church Life according to the God-ordained Way” (tradução: A prática da vida da Igreja de acordo com a maneira ordenada por Deus), pp. 34, onde ele testifica que se o irmão W. Nee se afastasse da linha da Economia de Deus e dos Ensinos dos Apóstolos, ele (irmão Lee) permaneceria!

domingo, 19 de dezembro de 2010

A PARÁBOLA PROFÉTICA da Roupa Nova do Rei:

A Roupa Nova do Rei (http://www.clubedobebe.com.br/HomePage/Fabulas/aroupanovadorei.htm) de Hans Christian Andersen

"Era uma vez um rei, tão exageradamente amigo de roupas novas, que nelas gastava todo o seu dinheiro. Ele não se preocupava com seus soldados, com o teatro ou com os passeios pela floresta, a não ser para exibir roupas novas. Para cada hora do dia, tinha uma roupa diferente. Em vez de o povo dizer, como de costume, com relação a outro rei: "Ele está em seu gabinete de trabalho", dizia "Ele está no seu quarto de vestir".

A vida era muito divertida na cidade onde ele vivia. Um dia, chegaram hóspedes estrangeiros ao palácio. Entre eles havia dois trapaceiros. Apresentaram-se como tecelões e gabavam-se de fabricar os mais lindos tecidos do mundo. Não só os padrões e as cores eram fora do comum, como, também as fazendas tinham a especialidade de parecer invisíveis às pessoas destituídas de inteligência, ou àquelas que não estavam aptas para os cargos que ocupavam.

"Essas fazendas devem ser esplêndidas, pensou o rei. Usando-as poderei descobrir quais os homens, no meu reino, que não estão em condições de ocupar seus postos, e poderei substituí-los pelos mais capazes... Ordenarei, então, que fabriquem certa quantidade deste tecido para mim."

Pagou aos dois tecelões uma grande quantia, adiantadamente, para que logo começassem a trabalhar. Eles trouxeram dois teares nos quais fingiram tecer, mas nada havia em suas lançadeiras. Exigiram que lhes fosse dada uma porção da mais cara linha de seda e ouro, que puseram imediatamente em suas bolsas, enquanto fingiam trabalhar nos teares vazios.

- Eu gostaria de saber como vai indo o trabalho dos tecelões, pensou o rei. Entretanto, sentiu-se um pouco embaraçado ao pensar que quem fosse estúpido, ou não tivesse capacidade para ocupar seu posto, não seria capaz de ver o tecido. Ele não tinha propriamente dúvidas a seu respeito, mas achou melhor mandar alguém primeiro, para ver o andamento do trabalho.

Todos na cidade conheciam o maravilhoso poder do tecido e cada qual estava mais ansioso para saber quão estúpido era o seu vizinho.

- Mandarei meu velho ministro observar o trabalho dos tecelões. Ele, melhor do que ninguém, poderá ver o tecido, pois é um homem inteligente e que desempenha suas funções com o máximo da perfeição, resolveu o rei.
Assim sendo, mandou o velho ministro ao quarto onde os dois embusteiros simulavam trabalhar nos teares vazios.

- "Deus nos acuda!!!" pensou o velho ministro, abrindo bem os olhos. "Não consigo ver nada!"
Não obstante, teve o cuidado de não declarar isso em voz alta. Os tecelões o convidaram para aproximar-se a fim de verificar se o tecido estava ficando bonito e apontavam para os teares. O pobre homem fixou a vista o mais que pode, mas não conseguiu ver coisa alguma.

- "Céus!, pensou ele. Será possível que eu seja um tolo? Se é assim, ninguém deverá sabê-lo e não direi a quem quer que seja que não vi o tecido."

- O senhor nada disse sobre a fazenda, queixou-se um dos tecelões.

- Oh, é muito bonita. É encantadora!! Respondeu o ministro, olhando através de seus óculos. O padrão é lindo e as cores estão muito bem combinadas. Direi ao rei que me agradou muito.

- Estamos encantados com a sua opinião, responderam os dois ao mesmo tempo e descreveram as cores e o padrão especial da fazenda. O velho ministro prestou muita atenção a tudo o que diziam, para poder reproduzi-lo diante do rei.

Os embusteiros pediram mais dinheiro, mais seda e ouro para prosseguir o trabalho. Puseram tudo em suas bolsas. Nem um fiapo foi posto nos teares, e continuaram fingindo que teciam. Algum tempo depois, o rei enviou outro fiel oficial para olhar o andamento do trabalho e saber se ficaria pronto em breve. A mesma coisa lhe aconteceu: olhou, tornou a olhar, mas só via os teares vazios.

- Não é lindo o tecido? Indagaram os tecelões, e deram-lhe as mais variadas explicações sobre o padrão e as cores.

"Eu penso que não sou um tolo, refletiu o homem. Se assim fosse, eu não estaria à altura do cargo que ocupo. Que coisa estranha!!"...

Pôs-se então a elogiar as cores e o desenho do tecido e, depois, disse ao rei: "É uma verdadeira maravilha!!"
Todos na cidade não falavam noutra coisa senão nessa esplendida fazenda, de modo que o rei, muito curioso, resolveu vê-la, enquanto ainda estava nos teares. Acompanhado por um grupo de cortesões, entre os quais se achavam os dois que já tinham ido ver o imaginário tecido, foi ele visitar os dois astuciosos impostores. Eles estavam trabalhando mais do que nunca, nos teares vazios.

- É magnífico! Disseram os dois altos funcionários do rei. Veja Majestade, que delicadeza de desenho! Que combinação de cores!
Apontavam para os teares vazios com receio de que os outros não estivessem vendo o tecido. O rei, que nada via, horrorizado pensou: "Serei eu um tolo e não estarei em condições de ser rei? Nada pior do que isso poderia acontecer-me!" Então, bem alto, declarou:

- Que beleza! Realmente merece minha aprovação!! Por nada neste mundo ele confessaria que não tinha visto coisa nenhuma.

Todos aqueles que o acompanhavam também não conseguiram ver a fazenda, mas exclamaram a uma só voz:

- Deslumbrante!! Magnífico!!

Aconselharam eles ao rei que usasse a nova roupa, feita daquele tecido, por ocasião de um desfile, que se ia realizar daí a alguns dias. O rei concedeu a cada um dos tecelões uma condecoração de cavaleiro, para seu usada na lapela, com o título "cavaleiro tecelão". Na noite que precedeu o desfile, os embusteiros fizeram serão. Queimaram dezesseis velas para que todos vissem o quanto estavam trabalhando, para aprontar a roupa. Fingiram tirar o tecido dos teares, cortaram a roupa no ar, com um par de tesouras enormes e coseram-na com agulhas sem linha. Afinal, disseram:

- Agora, a roupa do rei está pronta.

Sua Majestade, acompanhado dos cortesões, veio vestir a nova roupa. Os tecelões fingiam segurar alguma coisa e diziam: "aqui está a calça, aqui está o casaco, e aqui o manto. Estão leves como uma teia de aranha. Pode parecer a alguém que não há nada cobrindo a pessoa, mas aí é que está a beleza da fazenda".

- Sim! Concordaram todos, embora nada estivessem vendo.
- Poderia Vossa Majestade tirar a roupa? propuseram os embusteiros. Assim poderíamos vestir-lhe a nova, aqui, em frente ao espelho.
O rei fez-lhes a vontade e eles fingiram vestir-lhe peça por peça. Sua majestade virava-se para lá e para cá, olhando-se no espelho e vendo sempre a mesma imagem, de seu corpo nu.

- Como lhe assentou bem o novo traje! Que lindas cores! Que bonito desenho! Diziam todos com medo de perderem seus postos se admitissem que não viam nada.

O mestre de cerimônias anunciou:

- A carruagem está esperando à porta, para conduzir Sua Majestade, durante o desfile.
- Estou quase pronto, respondeu ele.

Mais uma vez, virou-se em frente ao espelho, numa atitude de quem está mesmo apreciando alguma coisa. Os camareiros que iam segurar a cauda, inclinaram-se, como se fossem levantá-la do chão e foram caminhando, com as mãos no ar, sem dar a perceber que não estavam vendo roupa alguma. O rei caminhou à frente da carruagem, durante o desfile. O povo, nas calçadas e nas janelas, não querendo passar por tolo, exclamava:

- Que linda é a nova roupa do rei! Que belo manto! Que perfeição de tecido!

Nenhuma roupa do rei obtivera antes tamanho sucesso!
Porém, uma criança que estava entre a multidão, em sua imensa inocência, achou aquilo tudo muito estranho e gritou:

- Coitado!!! Ele está completamente nu!! O rei está nu!!

O povo, então, enchendo-se de coragem, começou a gritar:

- Ele está nu! Ele está nu!

O rei, ao ouvir esses comentários, ficou furioso por estar representando um papel tão ridículo! O desfile, entretanto, devia prosseguir, de modo que se manteve imperturbável e os camareiros continuaram a segurar-lhe a cauda invisível. Depois que tudo terminou, ele voltou ao palácio, de onde envergonhado, nunca mais pretendia sair. Somente depois de muito tempo, com o carinho e afeto demonstrado por seus cortesões e por todo o povo, também envergonhados por se deixarem enganar pelos falsos tecelões, e que clamavam pela volta do rei, é que ele resolveu se mostrar em breve aparições... Mas nunca mais se deixou levar pela vaidade e perdeu para sempre a mania de trocar de roupas a todo momento.

Quanto aos dois supostos tecelões, desapareceram misteriosamente, levando o dinheiro e os fios de seda e ouro. Mas, depois de algum tempo, chegou a notícia na corte, de que eles haviam tentando fazer o mesmo golpe em outro reino e haviam sido desmascarados, e agora cumpriam uma longa pena na prisão.

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Reparem que nesta parábola ninguém expôs o Rei, mas ele mesmo se expôs gratuitamente. A criança somente declarou o fato constatado por todos, embora jamais admitido...

Poderíamos imaginar uma conclusão diferente para esta estória. Que ao invés de aceitar e desmascarar o engano e com isto cobrir o logo o rei para que não continuasse se expondo, todo mundo tivesse resolvido punir a criança severamente, inclusive com banimento do reino, para abafar a ingênua ousadia dela. Condenando-a por desrespeitar a pessoa do Rei e ofender a inteligência dos súditos, afinal quem era ela para questionar o que todo o reino concordava unanimente!

Desnecessário dizer que o cenário neste caso seria de impressionar um forasteiro que viesse e por acaso presenciasse um desfile do rei com a tal "roupa nova", que vai se atualizando. Se ele não cair no jogo dos trapaceiros (que nestas alturas teriam todo o reino como seus aliados) e também entrar no "faz de conta", a despeito das maravilhas e virtudes que este viesse a testemunhar naquele reino, este julgaria estar em um reino de loucos e não de sábios. Também neste caso, imaginem o quanto os trapaceiros estariam se divertindo com a cena, que se não fosse trágica, seria cômica! O pior é que, para o bem de preservar o cenário maluco, os trapaceiros continuariam tendo grande prestigio tanto por parte do rei quanto dos súditos daquele reino...

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Para a interpretação da parábola proponho o seguinte significado:
ROUPA = MINISTÉRIO E OBRA DE ALGUÉM
TRAPACEIROS = O MALIGNO E SEUS ANJOS QUE IMITARAM SER O ESPÍRITO SANTO (supostos tecelões)
INTELIGÊNCIA = PRESUMIVEL HABILIDADE DE TER E DISCERNIR A "VISÃO" ESPIRITUAL MÍSTICA DA IGREJA, DA ECONOMIA DIVINA, DA AUTORIDADE ESPIRITUAL, MINISTÉRIO, ETC... HABILIDADE ESTA SERIA DECORRENTE DE CONSTITUIÇÃO DA PALAVRA, "CRESCIMENTO DE VIDA", CORAÇÃO PURO, ETC...
REI = LIDER DE UMA OBRA (TEM INUMEROS CASOS NO REINO DE DEUS...)
ROUPA NOVA = REVELAÇÃO PRIVELEGIADA DE MINISTÉRIO ESPECIAL, ESPECÍFICO E ATUAL, COM UNÇÃO DIVINA ESPECIAL PARA UMA GRANDE OBRA ESPECIAL E ÚNICA PARA A IGREJA, SOB A DIREÇÃO DIRETA DO TRONO DE DEUS, NOS MOLDES COMO DEUS DIRIGIU MOISÉS NO VELHO TESTAMENTO. (IMPLICA INCLUSIVE EM UMA ÓTICA QUE SOBREPÕE O PRÓPRIO MINISTÉRIO NEOTESTAMENTÁRIO COM O MINISTÉRIO PARTICULAR DE ALGUÉM)

Observe-se que a "Roupa Nova" referida acima não corresponde à visão celestial citada por Paulo em Atos 26:19 (nota rodapé 1) e muito bem descrita por ele em suas epístolas. Refere-se a uma tentativa de visualização de tal revelação maravilhosa na prática aqui e agora. Ai é que surge o problema, o confundir as duas coisas, pois quem admitir não ter tal visão da "roupa nova" é tido como desprovido de inteligência (visão espiritual)!

De resto uma imagem fala mais que mil palavras...

"Sempre que um líder especial, ou uma doutrina específica, ou alguma experiência, ou credo, ou organização se torna um centro para congregar os crentes de diferentes lugares, então seu centro é outro que não Cristo e sua esfera de ação é outra que não a local; e sempre que a esfera da localidade, divinamente apontada, é substituída por uma esfera de invenção humana, ali não pode repousar a aprovação divina. Os crentes situados em tal esfera podem verdadeiramente amar ao Senhor, mas eles têm outro centro à parte d’Ele, e é muito natural que o segundo centro se torne o centro controlador. Cristo é o centro comum de todas as igrejas, mas qualquer grupo de crentes que tenha um líder, uma doutrina, uma experiência, um credo ou uma organização como centro de fraternidade, verificará que esse centro se torna o centro, e por via desse centro é que eles determinam quem pertence ao grupo e quem não pertence.

Qualquer coisa que se torna um centro para unir os crentes de diferentes lugares criará um campo de ação que inclui todos os crentes que se ligam a esse centro e exclui todos os que não se ligam. Esta linha divisória destruirá a fronteira de localidade apontada por Deus e, conseqüentemente, destruirá a própria natureza das igrejas de Deus."

(Watchman Nee, em “A Vida Normal da Igreja Cristã” no fim do item sobre Como preservar o caráter local das Igrejas, dentro do capítulo 4 cujo titulo é AS IGREJAS FUNDADAS PELOS APÓSTOLOS)

PF
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